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EXPOSIÇÃO

PERSPECTIVAS PARA ALÉM DA VISÃO

MICHELE MARTINES

19.04 - 29.06.2024

Curadoria Renata Santini

VISITAÇÃO
Quartas  -  13h30 - 17h30
Quintas  -   13h30 - 17h30
Sextas     -   13h30 - 20h
Sábados   -  16h - 20h

Aperte a campainha
 

TEXTO CURATORIAL

RENATA SANTINI

O título da primeira individual de Michele Martines na cidade do Rio de Janeiro corresponde ao tema da 19ª edição a ser lançada em breve pela Arte ConTexto (ISSN 2318-5538). Perspectivas para além da visão inaugura –FeVra_ como ambiente expositivo e de contexturas, contemplando pesquisas, acompanhamento e formação de tramas de difusão no âmbito das artes visuais. Artistas colaboradores da revista poderão apresentar trabalhos e propor atividades. Para esta edição, contamos com a consultoria de Caue de Camargo, professor Dr. em Educação servidor do Instituto Benjamin Constant. Michele disponibilizará audiodescrição de cinco trabalhos, os quais receberão uma impressão tátil, além de contarmos com a transcrição das legendas para o Sistema Braille.

 

Pôr em desenvolvimento uma determinada cena, misturando realidade com figurações deslocadas de contexto, símbolos ou distorções faz parte do processo pictórico de Michele Martines. Alterações do que vemos podem ser amplamente exploradas em linguagens como a pintura, e as pinceladas sem empastes contribuem para a confiança na representação. Uma das salas exibe a série “Abuso!”, em que Michele investe na apreciação estética do corpo masculino. Pinturas com títulos de nomes próprios são expostos como se estivessem em uma prateleira de perfumaria ou bomboniere, com trocadilhos que remetem ao consumo. Michele se utiliza do “embaraço” que suas imagens causam desviando-se dos padrões de representação, em associação aos títulos que propõe.

Desde o início de sua carreira no Rio Grande do Sul, iniciada há mais de 20 anos, Michele emprega o recurso da apropriação e manipulação de imagens, partindo da pesquisa documental e da experiência cotidiana, captadas em registros com auxílio da câmera fotográfica. O espaço habitado, da casa aos lugares de passagem e convívio urbano, alternam-se em cenários que combinam elementos de peças publicitárias ou lugares frequentados usualmente pela artista.

A “Casa de papelão” instalada por uma moradora de rua é trazida ao interior da casa da avó da artista, numa ambientação naturalizada esteticamente, envolvendo ações cotidianas. Em outra assemblage, essa pintura se encontra em um canto com sofá no Recipiente Porongo. Já em “Horizontes”, a padronização das construções na urbe se apresenta em figurações simplificadas, como os códigos de barras ou grandes caixas projetadas para durar pouco. Tais elementos contrastam com a presença ainda imponente dos morros em uma extensão de vista desejável, tal qual os mobiliários urbanos obsoletos, como “orelhões” e casas antigas fadadas à ruína, e com o próprio ser humano, que segue atravessando códigos de barras e a influenciar a paisagem.

Um antigo hotel presente desde a fundação de sua cidade natal Montenegro é abordado sob diferentes pontos de vista, em um tríptico que envolveu a pesquisa documental sobre a aparência da casa e sua atmosfera em outros tempos. Sem desconsiderar as vidas invadidas através do extravasamento das ambições humanas, Michele traz à cena a figura de outros seres, como pássaros, peixes, felinos e plantas que tomam os espaços comuns numa harmonia desconcertante. Constatamos o crescimento vegetal sobre o mobiliário urbano, e a presença de animais que indicam a perseverança de suas existências, ainda que realizadas em situações de grande tensão, como nas enchentes do rio Caí, frequentes em Montenegro.

A presença dos montes na paisagem da pequena cidade é percebida em diversos trabalhos: lugares de interior, lugares da casa, a grande cidade. Em “Olhar afetivo”, “Tudo passa na volta do morro”, “Domingo”, e “Antigo casarão na beira do rio” é possível sentir através dos títulos uma abordagem silenciosa e demorada, tal como a sensação de ver ao longe um monte como Santa Vitória pintada por Cézanne ou o encadeamento de morros na Baía da Guanabara. Entre variações distanciais de perspectiva ou abordagens imaginárias, Michele nos oferece uma diversidade de modos de explorar assuntos cotidianos, como se a experiência de ver não bastasse, senão na companhia de fazer pintura.

​SÉRIE | ABUSO!

VISTAS DA EXPOSIÇÃO

AGENDA
PROGRAMA DE EXPOSIÇÕES COM ARTISTAS COLABORADORES DA ARTE CONTEXTO

 

  • Rita de Souza (Belo Horizonte, MG)

  • Vanessa Freitag (León, Guanajuato, México)

  • Leonardo Lopes (Porto Alegre, RS)

  • Louise Kanefuku (Porto Alegre, RS)

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